Idosos em queda 13 mil casos Paraná Saúde alerta

🕓 Última atualização em: 04/03/2026 às 20:18

O envelhecimento populacional no Paraná, com mais de 2 milhões de idosos representando cerca de 17,6% da população total, impõe desafios contínuos à saúde pública. Entre as preocupações emergentes, a prevenção de quedas em pessoas com 60 anos ou mais ganha destaque. Embora quedas possam acometer qualquer faixa etária, os desfechos para a população idosa são desproporcionalmente mais graves, frequentemente culminando em fraturas, perda de autonomia e, em casos severos, complicações que ameaçam a vida.

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) tem intensificado os alertas e as ações de conscientização visando minimizar esses eventos, muitos dos quais poderiam ser evitados com medidas preventivas simples e eficazes. A abordagem pública para a questão reconhece que acidentes com idosos não devem ser tratados como meros imprevistos, mas sim como um problema de saúde pública que demanda atenção e planejamento constantes.

Os dados hospitalares revelam a magnitude do problema: no último ano, o Paraná registrou 13.077 internações de idosos em decorrência de quedas. As mulheres foram as mais afetadas, somando 8.021 registros, em contraste com os 5.056 de homens. A gravidade é ainda mais acentuada nas faixas etárias mais avançadas. Entre os óbitos associados a quedas, 226 ocorreram em indivíduos com mais de 80 anos, grupo que também liderou as estatísticas de quedas, respondendo por metade dos casos.

É fundamental compreender que as quedas em idosos raramente são eventos isolados. Geralmente, são o reflexo de um declínio funcional progressivo, que pode incluir a perda de força muscular, alterações no equilíbrio e o uso simultâneo de múltiplos medicamentos. Paralelamente, fatores ambientais, como iluminação inadequada, obstáculos em casa e a presença de tapetes soltos, desempenham um papel significativo, especialmente no ambiente doméstico, onde a maioria dos acidentes acontece.

Abordagens Integradas para um Envelhecimento Seguro

Diante deste cenário, o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, enfatiza a necessidade de uma visão coletiva. “É uma questão de saúde pública com impacto direto na qualidade de vida, na independência e na sobrecarga dos serviços de saúde. A prevenção de quedas é um cuidado coletivo que envolve toda a sociedade, incluindo familiares, cuidadores, profissionais de saúde, gestores públicos e as próprias pessoas idosas”, ressalta. Essa perspectiva reconhece que a construção de um envelhecimento mais seguro e saudável é responsabilidade compartilhada.

Em termos de atendimento hospitalar, o Hospital do Trabalhador (HT), em Curitiba, destaca-se como centro de referência para traumas no estado, recebendo diariamente um número considerável de idosos vítimas de quedas. O hospital implementou um protocolo rigoroso com o objetivo de agilizar o atendimento a esses pacientes, especialmente aqueles com fraturas, visando a realização de cirurgias em até 48 horas. Este prazo é crucial para aumentar as chances de sobrevida e minimizar complicações pós-operatórias.

O protocolo do HT envolve uma avaliação rápida na chegada ao pronto-socorro, confirmação diagnóstica por raio-X e início imediato da contagem de tempo para a cirurgia. A equipe multidisciplinar realiza avaliações clínicas e anestésicas, além de exames pré-operatórios, com o intuito de otimizar o tempo cirúrgico.

Bruno Schuta Bodanese, médico ortopedista especialista em cirurgia do quadril no HT e gerente técnico do Centro Hospitalar de Reabilitação Ana Carolina Moura Xavier (CHR), explica a importância da agilidade: “A partir de 48 horas, o efeito na mortalidade aumenta. O pós-operatório, normalmente, é na UTI, justamente pela idade e pela gravidade do trauma cirúrgico. Porém, no dia seguinte da cirurgia, o paciente já senta, já começa a fazer exercício e a andar”.

Uma iniciativa valiosa do HT é a integração com o CHR. Todos os pacientes submetidos à cirurgia de quadril são encaminhados para acompanhamento fisioterapêutico após a alta hospitalar. O tempo de recuperação, que pode variar de três a seis meses, é personalizado, garantindo uma reabilitação mais adequada e um fluxo de cuidados direcionado. “Nós acionamos em 100% dos casos o Centro de Reabilitação. O paciente sai de alta aqui do Trabalhador, já com a fisioterapia agendada para ter uma reabilitação mais adequada, um fluxo melhor, tudo isso de uma forma mais direcionada”, afirma Bodanese.

A osteoporose surge como um fator de agravamento significativo, frequentemente subdiagnosticado. Esta doença silenciosa fragiliza os ossos, tornando-os mais suscetíveis a fraturas. Estimativas indicam que metade das mulheres e um quinto dos homens com 50 anos ou mais experimentarão uma fratura osteoporótica ao longo da vida. Em idosos com osteoporose, uma queda que resultaria em um hematoma simples pode evoluir para uma fratura grave, como a de fêmur, associada a altas taxas de mortalidade e perda de independência.

As estratégias de prevenção são multifacetadas e abrangem desde a prática regular de exercícios físicos, essenciais para o fortalecimento muscular e ósseo, até a revisão periódica de medicamentos. Para combater a fragilidade óssea, recomenda-se uma dieta rica em cálcio e exposição solar moderada para a síntese de vitamina D. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece medicamentos para o tratamento da osteoporose e acompanhamento nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).

No último ano, o Paraná observou um aumento de 165,54% no número de idosos avaliados pelas equipes de saúde. No âmbito domiciliar, adaptações como a instalação de barras de apoio, melhoria da iluminação, remoção de obstáculos e a utilização de calçados adequados são cruciais para evitar quedas.

Políticas Públicas e Empoderamento para um Envelhecimento Digno

O investimento em políticas públicas robustas é uma marca da Sesa para mitigar a incidência de quedas e promover um envelhecimento mais saudável. O projeto “Envelhecer com Saúde no Paraná” norteia essas ações, com foco na capacitação de profissionais de saúde e na oferta de materiais de apoio para orientar famílias, cuidadores e os próprios idosos. A diretora de Atenção e Vigilância da Sesa, Maria Goretti David Lopes, destaca a importância dessa iniciativa: “Mantemos um olhar atento a esse público e sabemos da importância de aprimorar continuamente nossas políticas públicas para garantir um envelhecimento com dignidade e segurança”.

Uma ferramenta fundamental dessa iniciativa é o Manual de Prevenção de Quedas para Idosos, desenvolvido em colaboração com a Universidade Federal do Paraná (UFPR). Este manual oferece orientações práticas para a adaptação do ambiente doméstico e para a adoção de comportamentos seguros, servindo como um guia abrangente para idosos, seus familiares e cuidadores. A disseminação e aplicação dessas diretrizes são passos essenciais para empoderar a população idosa e seus círculos de apoio na construção de um futuro mais seguro e com maior qualidade de vida.

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