IAT alerta: criação legal de silvestres exige cuidados rigorosos

🕓 Última atualização em: 25/03/2026 às 02:07

A aquisição legal de animais silvestres no Paraná exige o cumprimento de regulamentações estritas, visando garantir o bem-estar das espécies e combater o tráfico ilegal. A posse de aves como papagaios, canários-da-terra, pintassilgos e sabiás, entre outras espécies nativas, é permitida, mas requer atenção a procedimentos específicos.

A principal diretriz para a posse legal é a obrigatoriedade de adquirir os animais de criadouros ou estabelecimentos comerciais devidamente licenciados. Estes devem possuir autorização tanto do Instituto Água e Terra (IAT), autarquia ligada à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável, quanto do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Documentos como nota fiscal, certificado de origem e a devida marcação do animal – seja por meio de anilhas ou microchip – são fundamentais. O IAT disponibiliza um canal para que os consumidores possam verificar a regularidade dos vendedores, enviando o nome e CNPJ do estabelecimento para o e-mail sisfauna@iat.pr.gov.br.

Em casos de resgate de animais silvestres, a ação imediata de órgãos ambientais competentes é crucial. As secretarias municipais de meio ambiente e o próprio IAT devem ser acionados. Para animais encontrados sem qualquer documentação legal, a entrega voluntária aos órgãos ambientais é a via recomendada.

Superada a etapa burocrática, a responsabilidade com o bem-estar do animal silvestre se manifesta no cotidiano. Diferentemente de animais domesticados, como cães e gatos, os silvestres possuem instintos selvagens que demandam cuidados singulares.

A Profunda Adaptação do Silvestre ao Cativeiro

A complexidade do cuidado com animais silvestres reside na necessidade de replicar, o máximo possível, suas condições naturais. Ignorar as particularidades de cada espécie pode gerar sérios problemas de saúde e comportamento.

Estudos apontam que uma porcentagem significativa de aves mantidas em cativeiros inadequados sofre de estresse crônico, manifestado através de comportamentos como a automutilação, conhecida como picacismo. Este quadro é frequentemente desencadeado pelo aprisionamento em gaiolas pequenas e pela falta de um ambiente que atenda às suas necessidades ecológicas.

A alimentação é outro ponto crítico. Oferecer alimentos destinados ao consumo humano, como pães e biscoitos, pode causar desequilíbrios nutricionais, alterações comportamentais e graves problemas de saúde. A dieta ideal para animais silvestres deve ser composta por rações específicas para cada espécie e suplementos recomendados por um médico veterinário especializado.

A oferta de frutas, mesmo sendo um alimento natural, também pode ser prejudicial se não for adequada à espécie. Animais silvestres, acostumados a uma busca por alimento mais diversificada e oportunista em seu habitat natural, podem se beneficiar excessivamente de dietas ricas em calorias oferecidas por humanos. Essa facilidade alimentar pode levá-los a se tornarem dependentes e a permanecerem próximos a áreas urbanas, o que aumenta os riscos de acidentes e de adoção de hábitos alimentares inadequados.

O acesso a tratamento veterinário especializado também representa um desafio. Nem todas as clínicas possuem profissionais capacitados para atender animais silvestres, o que pode elevar os custos de manutenção.

O transporte desses animais requer autorizações específicas, como a Guia de Trânsito Animal (GTA) e atestado sanitário. Animais nativos, excetuando-se as aves, necessitam de Autorização de Transporte Interestadual via Sistema Nacional de Gestão de Fauna Silvestre (Sisfauna).

Responsabilidade Social e Ambiental na Tutela de Animais Silvestres

A legislação ambiental prevê mecanismos para a regularização de situações irregulares, como a entrega voluntária de animais silvestres mantidos sem licença. Esta medida, isenta de penalidades, é a forma mais adequada de lidar com animais cuja origem legal não pode ser comprovada.

Após a entrega voluntária, os animais passam por avaliação veterinária para determinar o destino mais apropriado. Contudo, é importante ressaltar que o acompanhamento individual do animal após esse processo não é possível.

É fundamental que a população compreenda que a soltura de animais silvestres criados em cativeiro na natureza não é recomendada. Essas espécies, desprovidas das habilidades de sobrevivência em seu ambiente natural, necessitam de um processo de reabilitação especializado. O acionamento dos órgãos ambientais competentes é essencial para garantir que esse processo seja realizado de forma adequada e segura.

Para auxiliar na proteção da fauna, o cidadão pode realizar denúncias de maus-tratos ou atividades ilegais através da Ouvidoria do Instituto Água e Terra (IAT) ou pelo Disque Denúncia 181. Informações detalhadas sobre a localização e as circunstâncias da ocorrência facilitam a atuação das equipes responsáveis.

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