A segurança alimentar no Paraná ganha um novo aliado tecnológico com o lançamento da plataforma JACA, sigla para Jornada do Alimento: Conexão e Amparo. Esta inovadora ferramenta promete revolucionar a forma como alimentos excedentes são direcionados a quem mais precisa, combatendo o desperdício e ampliando o alcance de políticas públicas de assistência.
A iniciativa, fruto de uma colaboração estratégica entre a Secretaria de Estado da Inovação e Inteligência Artificial (SEIA) e a Ceasa Paraná, vinculada à Secretaria da Agricultura e Abastecimento (Seab), centraliza e otimiza o fluxo de doações. O objetivo é criar um elo mais ágil e eficiente entre produtores, comerciantes e instituições beneficentes.
Por meio de um aplicativo intuitivo, produtores rurais, comerciantes e outros parceiros poderão registrar alimentos disponíveis para doação. A plataforma permite a inclusão de detalhes como tipo, quantidade e localização, utilizando recursos como fotos e até mesmo comandos de voz. A tecnologia empregada, baseada em soluções do Google Cloud, visa simplificar o processo e torná-lo acessível a todos os elos da cadeia.
A digitalização do processo de registro e organização das doações é um dos pilares da JACA. A intenção é acabar com o uso de registros manuais e aumentar a eficiência na identificação e no encaminhamento rápido dos produtos. Isso é fundamental para garantir que alimentos ainda próprios para consumo cheguem a entidades cadastradas antes que se tornem impróprios.
Modernização da Logística e Transparência nos Processos
A JACA vai além do simples registro de doações, integrando-se à logística de coleta e distribuição. Utilizando inteligência de dados e algoritmos de otimização de rotas, o sistema busca tornar a movimentação dos alimentos mais rápida e eficiente. Essa capacidade logística aprimorada é crucial para maximizar o impacto das doações.
A plataforma foi projetada para conectar todos os envolvidos: desde os doadores (produtores rurais, comerciantes) até a Ceasa, o Banco de Alimentos e, finalmente, as instituições beneficiadas. Incluem-se aqui entidades como restaurantes populares, cozinhas solidárias, e até mesmo organizações voltadas para o cuidado de animais e centros de compostagem, ampliando o leque de destinos para os excedentes.
O registro digital de cada etapa da doação gera um histórico completo, armazenado na nuvem. Essas informações são transformadas em relatórios automáticos, permitindo um acompanhamento preciso do destino dos alimentos. Essa rastreabilidade confere um alto grau de transparência e possibilita a mensuração do impacto social das doações com maior exatidão.
A integração com a inteligência artificial Gemini é outro diferencial. Essa tecnologia auxilia no processamento das informações coletadas, tornando a análise de dados mais robusta e permitindo insights valiosos para aprimorar continuamente o programa. A plataforma inicialmente será implementada nas unidades da Ceasa em Curitiba, Londrina, Maringá, Cascavel e Foz do Iguaçu.
O secretário de Estado da Inovação e Inteligência Artificial, Alex Canziani, ressalta o potencial da tecnologia para fortalecer políticas públicas. “Estamos usando inovação e inteligência de dados para conectar quem tem alimentos disponíveis para doação com quem mais precisa”, afirma. Ele destaca que a JACA traz mais eficiência, transparência e escala ao Banco de Alimentos, potencializando o impacto social e reduzindo o desperdício.
Origem da Inovação e o Papel da Ressocialização
A concepção da plataforma JACA tem raízes profundas na prática e na observação direta das operações do Banco de Alimentos. Um exemplo inspirador é a história de Franchesco Belinelli Neuwiem, que, após cumprir pena no sistema penal, encontrou no Banco de Alimentos uma oportunidade de recomeço profissional. Após seis anos atuando na seleção e processamento de alimentos, Franchesco identificou gargalos nos processos manuais e em papel.
Essa vivência no dia a dia operacional permitiu que ele vislumbrasse soluções. A ideia de uma ferramenta que facilitasse o registro e a organização das doações começou como um esboço, mas, com o apoio de colaboradores, evoluiu para o desenvolvimento da plataforma JACA. Essa origem demonstra como a experiência prática pode ser um motor fundamental para a inovação em políticas públicas.
O programa Banco de Alimentos-Comida Boa, ao qual a JACA está vinculada, também desempenha um papel importante na ressocialização de apenados monitorados. Atualmente, 80 indivíduos atuam na seleção, separação e processamento de alimentos, participando de capacitações em gastronomia e manipulação de alimentos. Essa iniciativa não só contribui para a segurança alimentar, mas também amplia as oportunidades de reintegração desses indivíduos no mercado de trabalho.
Mensalmente, o programa já é responsável pela doação de mais de 600 toneladas de alimentos, beneficiando cerca de 340 instituições cadastradas e mais de 160 mil pessoas em situação de vulnerabilidade social. A JACA promete otimizar ainda mais esses números, solidificando o compromisso do Paraná com o combate à fome e ao desperdício de alimentos por meio da tecnologia e da colaboração social.






