Frangioni estreia no BRDE Arte e Cultura dia 27

🕓 Última atualização em: 22/01/2026 às 02:07

A arte contemporânea, em suas diversas manifestações, frequentemente nos convida a uma introspecção profunda sobre a condição humana, a efemeridade da existência e os legados que construímos. Em Curitiba, uma nova exposição busca justamente explorar essas complexas interseções, utilizando elementos do cotidiano para tecer narrativas sobre memória, afeto e as dissonâncias entre nossos ideais e ações.

O artista visual Alexandre Frangioni apresenta um conjunto de obras inéditas, desenvolvidas entre 2017 e 2021, que se destacam pela forte conexão com a realidade social. A produção artística, marcada por um acabamento que evoca a estética industrial, transita por diferentes linguagens e materiais, cada um escolhido para amplificar o sentido e a profundidade das mensagens transmitidas.

Diálogos entre o Cotidiano e a Reflexão Existencial

A curadoria da mostra, assinada por Sylvia Werneck, enfatiza o potencial das obras em estabelecer um diálogo direto com o público. Os elementos visuais reconhecíveis no dia a dia funcionam como gatilhos para a reflexão sobre a relação entre a arte contemporânea e as individualidades sociais. O objetivo é transcender a mera apreciação estética, estimulando o espectador a ponderar sobre seu papel na construção das sociedades.

A escolha dos materiais não é acidental; ela assume um papel narrativo fundamental, conferindo camadas adicionais de significado às peças. Essa estratégia permite que Frangioni aborde temas universais, mas com uma forte ancoragem na realidade brasileira e ocidental, tornando a experiência da mostra singularmente relevante para o contexto cultural em que está inserida.

O título da exposição, “Levarei Saudades da Aurora”, é uma alusão direta à icônica canção “Na Cadência do Samba”, de Ataulfo Alves e Paulo Gesta. A obra musical, lançada em 1962, já explorava a inevitabilidade da morte e a importância da reputação deixada para trás. Frangioni ecoa essa preocupação, inserindo a finitude como um tema recorrente em sua produção.

Werneck ressalta que os trabalhos de Frangioni são intrinsecamente ligados à realidade coletiva. “Por lidarem com questões imbricadas na realidade coletiva, os trabalhos de Frangioni são desenvolvidos a partir de elementos facilmente reconhecíveis nas sociedades ocidentais, especialmente a brasileira”, explica a curadora.

A curadora complementa que essa identificação com os temas abordados incentiva uma apreciação que vai além da materialidade. “Ao se reconhecer nas questões abordadas, o espectador é convidado a uma apreciação para além da materialidade das obras. Entram em campo reflexões sobre nossa conduta e nossa responsabilidade para com as sociedades que construímos, o mundo que deixaremos para os que vierem depois de nós”, conclui Sylvia Werneck.

Acesso à Arte e Fomento à Cultura no Espaço BRDE

O Espaço Cultural BRDE – Palacete dos Leões, uma iniciativa do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), reafirma seu compromisso em democratizar o acesso à cultura e promover a participação ativa de artistas e da comunidade. A missão do espaço é clara: fomentar a sensibilização e o engajamento no vibrante cenário cultural da cidade.

Ao longo de suas atividades, o Palacete dos Leões se dedica a apresentar exposições que celebram a diversidade e a riqueza da produção artística contemporânea. A entrada gratuita para a mostra “Levarei Saudades da Aurora” reforça essa vocação de tornar a arte acessível a todos, independentemente de barreiras econômicas.

O espaço cultural se consolida como um polo importante para a difusão artística em Curitiba. Com uma programação diversificada, ele busca não apenas exibir obras de valor, mas também criar um ambiente propício para o intercâmbio de ideias e o aprofundamento da compreensão sobre as manifestações artísticas atuais, contribuindo para a formação de um público mais crítico e participativo.

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