O Paraná tem apresentado um progresso notável na redução de crimes violentos, com um impacto significativo na diminuição de feminicídios. Relatórios recentes do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), compilados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, indicam uma queda de 20,2% nos casos de feminicídio no estado em 2025, totalizando 87 ocorrências, em comparação com 109 registradas no ano anterior.
Essa melhora posiciona o Paraná com uma taxa de 0,73 feminicídios por 100 mil habitantes, um dos índices mais baixos do país. Tal resultado o alinha a outros estados como São Paulo, Amazonas, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Ceará e Rio Grande do Norte, evidenciando um esforço estadual consistente.
A redução expressiva nos feminicídios contribuiu para uma queda ainda maior nas mortes violentas em geral. No ano passado, o estado registrou 1.343 casos, uma diminuição de 24% em relação aos 1.770 de 2024. Essa performance coloca o Paraná em segundo lugar no cenário nacional em termos de redução de mortes violentas, atrás apenas do Mato Grosso do Sul, e marca a menor taxa histórica do estado no indicador, alcançando 11,29 mortes violentas por 100 mil habitantes.
Um dos pilares para essa conquista é a expansão do programa Mulher Segura. Esta iniciativa busca fortalecer a presença do Estado em comunidades vulneráveis e reafirmar o compromisso com a proteção feminina. O programa opera através de ações de conscientização, prevenção e mitigação de riscos, utilizando palestras e visitas de patrulhamento policial direto às mulheres em seus domicílios.
A Patrulha Maria da Penha, integrada à Polícia Militar do Paraná (PMPR), desempenha um papel crucial nesse contexto, realizando visitas domiciliares e mantendo contato direto com as mulheres em situação de risco, garantindo um suporte mais próximo e eficaz.
Inovações Tecnológicas no Combate à Violência Doméstica
Em uma frente de combate à violência doméstica, o Governo do Paraná implementou um projeto pioneiro de Monitoração Eletrônica Simultânea (MES). Essa ferramenta foi desenvolvida para prevenir novos atos de violência contra mulheres que possuem medidas protetivas de urgência.
O sistema permite o acompanhamento em tempo real da localização tanto da vítima quanto do agressor. Em caso de descumprimento da medida protetiva, as forças de segurança são alertadas instantaneamente, permitindo intervenções rápidas e a prisão do agressor. A tecnologia promete aumentar significativamente a segurança das mulheres ao oferecer alertas imediatos e facilitar ações preventivas.
Paralelamente, a Secretaria Estadual da Segurança Pública (Sesp) está desenvolvendo uma ferramenta tecnológica inédita no país. Denominado Algoritmo de Revitimização de Violência Doméstica, este sistema utiliza inteligência artificial para mapear as probabilidades de mulheres que já foram vítimas de violência doméstica serem agredidas novamente. O algoritmo cruza dados de Boletins de Ocorrência Unificados, de 2010 a 2023, e do Formulário Nacional de Avaliação de Risco (Fonar) do Conselho Nacional de Justiça.
A análise abrangerá mais de 15 milhões de informações, visando identificar padrões e fatores de risco. O resultado será apresentado em um painel interativo que subsidiará ações preventivas mais eficazes das polícias paranaenses, com o objetivo primordial de evitar novas agressões e salvar vidas.
Ações Integradas e de Apoio Psicossocial
Além das estratégias de segurança e tecnologia, o Paraná mantém diversas frentes de atuação no combate à violência contra a mulher. A Secretaria da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa (Semipi) atua de forma articulada, englobando prevenção, articulação institucional e acolhimento às vítimas, em parceria com municípios e órgãos da rede de proteção.
Na área preventiva, a Semipi promove campanhas educativas e apoia o planejamento de políticas públicas municipais, incentivando a integração dos serviços locais. A secretaria também fomenta a adoção do Selo ABNT Práticas Antiviolência contra as Mulheres, orientando organizações a implementarem protocolos de prevenção e acolhimento em seus ambientes de trabalho.
No que tange ao acolhimento, a Semipi coordena o Programa Recomeço. Este programa integra o Auxílio Social da Mulher Paranaense, Casas de Acolhimento Regionalizado e ações de apoio à autonomia econômica, como a Casa da Mulher Paranaense e o incentivo à empregabilidade. O auxílio financeiro é destinado a mulheres inseridas na rede de atendimento, com valores complementares para gestantes, lactantes, mães de crianças de 0 a 6 anos e aquelas com dependentes com deficiência, buscando quebrar o ciclo da violência.






