A preservação e a difusão das culturas ancestrais ganham um novo centro de referência no Paraná com a inauguração do Etno Parque Ré Sĩ Kaingang, localizado na Terra Indígena Ivaí, em Manoel Ribas. Este espaço inovador, concebido como um museu vivo, visa não apenas salvaguardar a memória e fortalecer a identidade do povo Kaingang, mas também abrir um canal de acesso para que a sociedade em geral conheça e valorize seus saberes tradicionais.
A criação do parque foi viabilizada por meio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), com execução coordenada pelo Governo do Estado, através da Secretaria de Estado da Cultura (SEEC). Um investimento significativo de R$ 400 mil foi direcionado para a concretização deste projeto.
A iniciativa reflete um avanço nas políticas públicas culturais voltadas aos povos originários. A intenção é materializar a valorização dessas culturas, reconhecendo o protagonismo indígena e assegurando que seus conhecimentos ancestrais sejam não apenas preservados, mas também compartilhados e reconhecidos de forma ampla pela sociedade.
A Secretaria de Estado da Cultura atuou ativamente na busca e no apoio a projetos como este, aproximando o poder público das comunidades tradicionais. Agentes capacitados em todas as regiões do estado oferecem suporte técnico, facilitando o acesso a recursos e a execução de projetos culturais por meio de editais específicos.
Um Espaço de Imersão e Aprendizado Cultural
O Etno Parque foi meticulosamente projetado para proporcionar uma experiência de imersão cultural profunda. A estrutura inclui a reprodução fiel de cinco tipologias tradicionais de moradias Kaingang, construídas com materiais como taquara e sapé, além de contemplar habitações subterrâneas, demonstrando a diversidade arquitetônica e a adaptação ao ambiente.
O parque se configura como um polo educativo e cultural dinâmico. Atividades como rodas de conversa, apresentações de cantos e danças tradicionais, oficinas de pintura corporal e demonstrações de práticas com ervas medicinais compõem a programação. O objetivo é oferecer um panorama completo da riqueza cultural Kaingang.
A colaboração comunitária foi um pilar fundamental no desenvolvimento do projeto. Lideranças indígenas, como o cacique Domingos Zacarias e o vice-cacique Reinaldo Ninvaia, estiveram ativamente envolvidas em todas as etapas. Esse envolvimento garante a autenticidade e a fidelidade das representações.
O apoio técnico da Unicentro, por intermédio do Projetek (Escritório de Engenharia e Arquitetura da Universidade), foi crucial. A equipe do Projetek foi responsável pelo desenvolvimento arquitetônico e pelo acompanhamento técnico da obra, assegurando que as construções respeitassem o conhecimento tradicional Kaingang.
A escolha de materiais naturais e soluções construtivas adequadas ao clima regional, ao mesmo tempo em que se garante a segurança e a receptividade para os visitantes, demonstra a integração entre saberes ancestrais e técnicas modernas de engenharia e arquitetura. O trabalho foi realizado de forma ágil e colaborativa, com o projeto concebido em dois meses e a execução em três.
A Escola Estadual Indígena Gregório Kaekchot, a maior do Paraná, é uma parceira estratégica. A instituição integrará o Etno Parque como um ambiente pedagógico, fortalecendo a transmissão de saberes entre as novas gerações e promovendo a convivência intercultural.
O parque tem potencial para se tornar um polo de atração turística e econômica para a região. A expectativa é que cerca de 3 mil visitantes sejam recebidos anualmente, impulsionando oportunidades de geração de renda através do turismo e da comercialização de artesanato.
Um Legado para as Futuras Gerações
A consolidação da Terra Indígena Ivaí como um polo de referência na valorização das culturas indígenas no Paraná é um marco. O Etno Parque Ré Sĩ Kaingang transcende a ideia de um mero espaço expositivo; ele representa um compromisso com a continuidade cultural e o reconhecimento da importância dos povos originários.
A iniciativa não apenas enriquece o panorama cultural do estado, mas também abre caminhos para um intercâmbio cultural mais profundo e um entendimento mútuo entre diferentes comunidades. A meta é que o parque esteja sempre vibrante, com visitantes engajados e interessados em conhecer a riqueza que o povo Kaingang tem a compartilhar.
O sucesso deste projeto é um testemunho do poder das parcerias e do investimento em políticas públicas que reconhecem e promovem a diversidade cultural. A expectativa é que iniciativas como essa sirvam de modelo para a preservação e valorização de outras culturas tradicionais em todo o país, assegurando que seus legados sejam transmitidos e celebrados pelas futuras gerações.






