Estado e BRDE apoiam RPPNs com créditos de biodiversidade

🕓 Última atualização em: 30/03/2026 às 21:39

O Paraná avança em um projeto pioneiro que visa transformar a conservação da biodiversidade em um ativo econômico concreto. O estado, através da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável (Sedest), firmou compromissos com sete Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) selecionadas para a implementação de um sistema de créditos de biodiversidade. Esta iniciativa representa um marco, posicionando o Paraná como o primeiro governo subnacional no mundo a instituir um mecanismo formal de incentivo financeiro à preservação ambiental privada.

A formalização dos acordos ocorreu em um evento que reuniu representantes do governo estadual e do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). A parceria com o BRDE é fundamental, pois o banco atuará como comprador dos créditos gerados, utilizando recursos do seu Fundo Verde. Este fundo, criado em 2022, destina uma parcela do lucro anual da instituição para projetos com impacto socioambiental positivo, evidenciando um compromisso institucional com a sustentabilidade.

A base legal para essa política pública é a Resolução Sedest nº 53, de outubro de 2024. A resolução estabelece as diretrizes para a Política Estadual de Créditos de Biodiversidade, definindo os critérios para a geração e certificação desses ativos. O objetivo central é remunerar proprietários de terras que mantêm áreas naturais protegidas e demonstram resultados efetivos na conservação e restauração ambiental.

Financiamento e Mecanismos de Valorização

O projeto-piloto conta com um aporte de até R$ 2 milhões provenientes do BRDE. A estrutura do programa é desenhada para otimizar a geração e a certificação dos créditos. Enquanto o Estado viabiliza todo o processo técnico e administrativo, o BRDE entra como um agente financeiro, conferindo valor econômico aos serviços ecossistêmicos prestados pelas RPPNs. Essa colaboração é vista como um modelo para aproximar a preservação ambiental de instrumentos financeiros sólidos e responsáveis.

A remuneração aos proprietários se dará por meio da venda de certificados de créditos de biodiversidade. Estes certificados representam um saldo positivo quantificável na preservação e na melhoria ambiental. O valor inicial de aquisição por crédito foi estabelecido em R$ 25, com um potencial de aumento para R$ 37,50 após o segundo ano de execução do plano de ação, condicionado à comprovação do cumprimento integral dos objetivos de conservação. O limite de geração é de 1,6 mil créditos por RPPN ao ano.

A dinâmica de pagamento é intrinsecamente ligada ao desempenho. O primeiro ciclo de pagamento pode alcançar até R$ 40 mil por reserva, e o segundo ciclo, R$ 60 mil, desde que os compromissos de melhoria ambiental sejam plenamente atendidos. Esta modalidade de pagamento por desempenho incentiva a busca contínua por resultados tangíveis na conservação.

As sete RPPNs que compõem esta fase inicial foram selecionadas após um rigoroso edital. Os critérios de seleção incluíram a localização em áreas prioritárias para conservação, a adequação fitogeográfica, a existência de um plano de manejo robusto e a demonstração de atividades econômicas que não comprometem o espaço protegido. A lista inclui as RPPNs Bellatrix, Vilar, Antenor Rival Crema, Reserva Natural do Alpinista Waldemar Niclevicz, Fazenda Paiquerê, Itáytyba e Alegrete.

Desafios e Perspectivas Futuras

A implementação do projeto é um processo multifásico. Após a seleção, as RPPNs participantes passarão por um diagnóstico ambiental detalhado e pela elaboração de um plano de ação específico. A validação dos créditos só ocorrerá após avaliação por uma entidade independente, garantindo a credibilidade e a confiabilidade do mecanismo. O edital, especificamente, restringiu a adesão a proprietários pessoa física com RPPNs no Paraná, com documentação regularizada e sem pendências ambientais ou tributárias, visando estruturar um modelo de incentivo financeiro de base estadual.

Este projeto-piloto, com duração prevista de dois anos, tem como objetivo primordial validar e aprimorar um modelo estadual de geração de incentivos financeiros atrelados à conservação da biodiversidade. A expectativa é que, com o sucesso desta fase, o Paraná consolide sua posição de liderança em políticas públicas inovadoras voltadas à sustentabilidade, inspirando outros entes federativos e subnacionais a adotarem abordagens semelhantes. A transformação da biodiversidade em um valor econômico palpável é um passo crucial para garantir sua proteção a longo prazo.

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