O Paraná se prepara para uma semana intensa de discussões sobre a gestão de seus recursos hídricos. Cinco Comitês de Bacias Hidrográficas (CBHs) do estado realizarão reuniões estratégicas, focando em aprimorar a governança e a sustentabilidade das águas em suas respectivas áreas de abrangência. As reuniões, que ocorrerão de forma remota, visam debater temas cruciais para a saúde ambiental e o desenvolvimento socioeconômico.
A série de encontros começa na segunda-feira (13) com o Comitê da Bacia Litorânea. Na terça-feira (14), a agenda prossegue com os comitês dos Afluentes do Médio Iguaçu, seguido pelos comitês Baixo Ivaí e Paraná 1 na quarta-feira (15). O Comitê Piraponema (Rios Pirapó, Paranapanema 3 e 4) terá sua reunião na quinta-feira (16), e a semana de discussões se encerra na sexta-feira (17) com o Comitê do Rio Paraná 3.
Essas atividades integram o plano de trabalho da Diretoria de Saneamento Ambiental e Recursos Hídricos do Instituto Água e Terra (IAT), órgão que exerce a função de Secretaria Executiva do Sistema Estadual de Recursos Hídricos. O IAT desempenha um papel fundamental no suporte técnico e financeiro aos comitês, garantindo a efetividade de suas ações.
A Importância dos Comitês de Bacias Hidrográficas
Os Comitês de Bacias Hidrográficas (CBHs) configuram-se como órgãos colegiados essenciais no panorama da gestão hídrica brasileira. Sua criação e atuação são fundamentadas em princípios de participação social, conforme preconiza a Política Estadual de Recursos Hídricos. Vinculados ao Conselho Estadual de Recursos Hídricos (CERH/PR), os CBHs possuem atribuições normativas, deliberativas e consultivas.
A composição paritária, que reúne representantes do poder público, dos setores usuários de água e da sociedade civil organizada, confere aos comitês um caráter democrático e abrangente. Essa diversidade de olhares é crucial para a formulação de diretrizes e a tomada de decisões que equilibrem as demandas de uso com a preservação ambiental. A Lei Estadual 12.726/1999 e o Decreto Estadual nº 9.130/2010 estabelecem as bases legais para o funcionamento e a atuação destes colegiados no Paraná.
A 22ª Reunião Ordinária do Comitê da Bacia Litorânea, por exemplo, destacará a conclusão da revisão de seu Regimento Interno. Este processo, conduzido pela Câmara Técnica de Instrumentos de Gestão (CTINS), representa um avanço significativo na governança do comitê, visando otimizar seus fluxos operacionais e decisórios. Paralelamente, o Grupo de Trabalho Matas Ciliares apresentará um parecer técnico focado em estratégias para a proteção e recuperação de áreas vegetais marginais, essenciais para a manutenção da qualidade da água.
No âmbito do Comitê dos Afluentes do Médio Iguaçu, recentemente constituído, a pauta inclui a formação de sua própria CTINS e informações sobre o Comitê Interestadual dos Afluentes do Rio Iguaçu. A palestra sobre a “Caracterização das Áreas de Várzea”, ministrada pelo secretário municipal de Meio Ambiente de São João do Triunfo e presidente do CBH, Iuri Lapsky, sublinha a relevância de ecossistemas aluvionares para o ciclo hidrológico.
Para o Comitê do Baixo Ivaí e Paraná 1, a discussão girará em torno do Rio Ivaí e do andamento da contratação de uma empresa para elaborar os planos de bacia. Essa iniciativa é vital para o planejamento estratégico e a gestão integrada dos recursos hídricos em uma área de 14.937 km², que abrange 53 municípios. O Comitê Piraponema abordará o processo de cobrança pelo uso da água, um instrumento econômico para incentivar o uso racional. A apresentação sobre “Gestão Eficiente dos Recursos Hídricos: Projetos de Reuso de Água na Indústria” trará à tona exemplos práticos de inovação sustentável.
Finalmente, o Comitê do Rio Paraná 3 dedicará sua reunião à revisão de seu regimento interno e aos trabalhos de sua câmara técnica. Esses encontros, embora remotos, são ferramentas indispensáveis para o monitoramento, a fiscalização e a deliberação sobre as políticas de gestão hídrica, garantindo que o uso da água no Paraná atenda às necessidades atuais sem comprometer as futuras gerações.
O Papel da Sociedade Civil na Gestão Hídrica
A participação ativa da sociedade civil na gestão dos recursos hídricos é um dos pilares dos Comitês de Bacias Hidrográficas. Esses espaços deliberativos permitem que cidadãos, organizações não governamentais e setores produtivos influenciem diretamente as decisões sobre o uso e a conservação da água. A representatividade nos comitês garante que as diversas necessidades e preocupações da população sejam consideradas no planejamento e na implementação das políticas hídricas.
A transparência e a acessibilidade das reuniões, muitas vezes transmitidas ao vivo pela internet, como é o caso dos encontros desta semana, ampliam o alcance da participação social. Ao acompanhar e intervir nos debates, os cidadãos contribuem para a construção de uma gestão mais democrática, eficiente e justa dos recursos hídricos, assegurando a disponibilidade de água em quantidade e qualidade adequadas para todos os usos e para o meio ambiente.






