O agronegócio paranaense demonstra robustez e um forte direcionamento para a inovação sustentável, conforme evidenciado pela intensa participação do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) em importantes eventos do setor. A instituição financeira, focada em impulsionar o desenvolvimento regional, registrou um volume expressivo de recursos contratados, consolidando seu papel como catalisador de investimentos estratégicos no campo.
A recente avaliação das atividades do BRDE em um grande evento agropecuário no Paraná revelou um montante significativo de R$ 434,33 milhões em valores contratados. Estes recursos foram distribuídos em 3.127 projetos, que abrangem desde a adoção de novas tecnologias até a expansão de atividades produtivas.
A análise detalhada dos projetos financiados pelo programa Banco do Agricultor Paranaense aponta para uma clara tendência na demanda por soluções que aliam produtividade e responsabilidade ambiental. A energia solar fotovoltaica lidera a lista, representando 38% das iniciativas apoiadas, o que demonstra uma crescente consciência e investimento em fontes de energia limpa para atividades rurais.
Em seguida, a pecuária se destaca com forte presença. A pecuária de corte absorveu 23% dos projetos, enquanto a pecuária de leite alcançou 29%. Outras frentes de investimento relevantes incluem projetos de irrigação e o aproveitamento de biomassa, evidenciando uma diversificação de demandas que buscam otimizar recursos e agregar valor.
O Fomento à Produção e à Transição Energética no Campo
O Banco do Agricultor Paranaense, concebido para acelerar investimentos com estímulos direcionados, opera em sinergia com entidades como o próprio BRDE e a Fomento Paraná. Seu objetivo primordial é fornecer suporte a produtores, cooperativas e agroindústrias familiares.
Este suporte se materializa através de crédito subsidiado e subvenções econômicas. Há uma prioridade clara para projetos que se alinham com os princípios de energia sustentável e otimização hídrica através da irrigação, pilares essenciais para um agronegócio resiliente e competitivo.
O mecanismo de equalização de juros é o cerne dessa iniciativa. A Fomento Paraná coordena o programa, utilizando recursos do Fundo de Desenvolvimento Econômico (FDE). Uma subvenção do Governo do Estado possibilita a devolução parcial ou integral dos juros pagos pelos produtores, com percentuais variáveis conforme o porte do tomador, o tipo de projeto e a localização geográfica.
Regiões com indicadores socioeconômicos menos favoráveis, como baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), tendem a receber um benefício maior. Essa abordagem funciona como um importante instrumento de desenvolvimento regional, promovendo equidade e oportunidades.
A concepção do programa não se restringe à agricultura familiar ou a pequenos produtores. Ele também abrange operações para perfis de maior porte, desde que seus projetos estejam alinhados com as frentes prioritárias, como energia solar, biomassa, irrigação e turismo rural. A meta é sempre buscar um impacto econômico e ambiental positivo e duradouro.
O diretor-presidente do BRDE, Renê Garcia Júnior, ressaltou a importância do evento como uma vitrine para a atuação do banco no meio rural. “O agronegócio é uma de nossas maiores vocações, e [o evento] é o lugar onde essa energia aparece com clareza. O BRDE é também indústria e inovação. Fomento, para nós, é justamente conectar produtividade e competitividade com transição sustentável“, declarou. Ele também pontuou o papel do BRDE como gestor de fundos estratégicos, como o Fundo Setorial do Audiovisual, reforçando a missão do banco em apoiar cadeias produtivas com alto potencial de geração de emprego.
A vitrine do Banco do Agricultor, apresentada pelo BRDE, exemplifica a amplitude dessa agenda de fomento. Em 2025, o banco encerrou o ano com R$ 5,6 bilhões em operações diretas e indiretas nos estados do Sul e em Mato Grosso do Sul. O diretor administrativo, Heraldo Neves, destacou o crescimento do estoque de operações ativas, que atualmente gira em torno de R$ 25 bilhões, um aumento de 72% nos últimos cinco anos. Este valor representa o “estoque vivo de financiamentos”, projetos em andamento que geram resultados reais e demonstram a escala que o fomento alcançou.
Estudos apontam que o efeito macroeconômico gerado por essa atuação é significativo. A relação é aproximadamente de 1 para 1: o volume de crédito viabilizado pelo BRDE tende a se traduzir em atividade econômica nos estados onde atua. Esta correlação justifica a existência e a relevância de um banco de desenvolvimento.
Nos estados onde o BRDE opera, mais de R$ 5,64 bilhões foram investidos no último ano, com 48,6% destinados ao agronegócio. Um dado crucial é que 79% desses contratos do BRDE estão alinhados a pelo menos um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, sinalizando um compromisso firme com a sustentabilidade.
No Paraná, o banco finalizou o ano com R$ 2,2 bilhões em contratos, sendo mais da metade direcionada ao agro. A região Oeste, sede do evento e um polo dinâmico do agronegócio, é a principal âncora regional do BRDE no estado, respondendo por 26% do fomento viabilizado nos últimos cinco anos, superando outras regiões importantes como a Metropolitana de Curitiba e o Norte Central.
A participação do BRDE no evento foi marcada por anúncios importantes. O governador Carlos Massa Ratinho Junior assinou a liberação do orçamento de R$ 2,2 bilhões para o Paraná em 2026, destinado a novos contratos de crédito. Em outra agenda, foram formalizados convênios para ampliar o acesso de empresas associadas a linhas de crédito e um aporte operacional de R$ 15 milhões com uma cooperativa.
Um Canal de Diálogo e Inovação para o Desenvolvimento
A instituição também inovou ao montar um espaço para gravação de podcast, o Conexão BRDE. Durante a semana do evento, foram entrevistados mais de 20 personalidades, incluindo autoridades governamentais, representantes de instituições parceiras e clientes. Este formato buscou expandir o alcance das discussões sobre fomento, inovação e desenvolvimento.
Os episódios, que serão publicados posteriormente, fazem parte das comemorações de 65 anos da instituição. A iniciativa reflete o compromisso do BRDE em diversificar seus canais de comunicação e engajar um público mais amplo, fomentando o debate sobre o futuro do desenvolvimento regional.
O superintendente do BRDE no Paraná, Paulo Starke, avaliou o evento como um “radar de demanda e vitrine de prospecção”. Ele destacou que a feira serve não apenas para atender clientes, mas, fundamentalmente, para ouvir e entender as necessidades do produtor, as tecnologias emergentes e como o crédito pode ser um facilitador para a produtividade e a sustentabilidade. Para quem busca informações sobre as linhas de financiamento, o site do BRDE e suas agências são os canais de acesso.






