Bombeiros intensificam combate a afogamentos no litoral

🕓 Última atualização em: 14/01/2026 às 18:05

A prevenção de afogamentos no litoral paranaense tem sido um foco constante para o Corpo de Bombeiros Militar (CBMPR), que divulgou um levantamento detalhado sobre o perfil das vítimas na temporada de verão 2024/2025. A análise dos dados consolidada visa não apenas alertar banhistas, mas também reforçar a importância de seguir orientações de segurança básicas em ambientes aquáticos.

Os resultados indicam um padrão recorrente: homens jovens, muitos deles turistas com pouca familiaridade com o local, tendem a ser as vítimas mais frequentes. A maioria dessas ocorrências se dá no período da tarde, frequentemente fora das áreas protegidas por guarda-vidas, com a surpresa das correntes de retorno como um fator determinante.

Na temporada passada, o litoral registrou 1.270 salvamentos aquáticos, englobando 1.173 resgates e 97 afogamentos, dos quais 19 resultaram em óbitos. É crucial notar que todas as fatalidades ocorreram em locais não cobertos por postos de guarda-vidas ou fora do horário de atuação destes profissionais.

O perfil detalhado das vítimas revela que 62,89% eram do sexo masculino. Mais de 60% tinham até 22 anos. O horário entre 12h e 18h59 concentrou 75% dos incidentes, coincidindo com o pico de frequentadores nas praias. A grande maioria, mais de 95%, eram turistas, com significativa representatividade de pessoas de Curitiba, sua região metropolitana e outros estados.

Um dado alarmante é que 51% das vítimas não sabiam nadar, e apenas três eram consideradas nadadores assíduos. A corrente de retorno foi apontada como causa principal ou contribuinte em 64% dos casos, muitas vezes associada à superestimação da habilidade de natação e ao consumo de bebidas alcoólicas.

Segundo o tenente-coronel Fabrício Frazatto dos Santos, comandante do 8º Batalhão de Bombeiros, a mensagem principal é clara: “O recado mais importante é que a população procure nadar sempre em áreas protegidas por guarda-vidas. No ano passado, não tivemos nenhum óbito em locais protegidos, e isso mostra que a prevenção funciona”, destacou.

Ações de Prevenção e Conscientização

Paralelamente ao trabalho de salvamento, o Corpo de Bombeiros tem intensificado as ações educativas. Somente na última temporada, foram realizadas mais de 313 mil ações preventivas, incluindo orientações diretas, abordagens na faixa de areia e distribuição de material educativo. A temporada atual já contabiliza mais de 107 mil ações preventivas, apesar de sete óbitos registrados, todos fora das áreas de segurança.

“As medidas educativas são fundamentais. Os dados mostram que quando a população busca locais protegidos e respeita as orientações, as chances de uma ocorrência fatal caem drasticamente”, reitera o oficial. A análise do CBMPR também sugere uma correlação entre o grau de escolaridade e o risco de afogamento. Uma parcela maior de vítimas (59,80%) possuía ensino médio incompleto ou completo, em contraste com os 7,21% com ensino superior completo.

Para a corporação, esse cenário evidencia a importância da disseminação de informações e do acesso a orientações de segurança. “Quando a pessoa conhece os riscos, entende a sinalização da praia e segue as recomendações dos guarda-vidas, as chances de um desfecho grave diminuem consideravelmente”, explica o tenente-coronel Frazatto.

A temporada de Verão Maior Paraná conta com a maior estrutura já empregada pela corporação, com 669 bombeiros militares e 362 guarda-vidas civis distribuídos pelo litoral. São 133 postos de guarda-vidas ativos, funcionando diariamente das 8h às 19h, com apoio de helicópteros, drones, motos aquáticas e embarcações para ampliar a capacidade de resposta.

O Corpo de Bombeiros Militar do Paraná reforça algumas orientações essenciais aos banhistas para evitar acidentes. É fundamental buscar locais e horários com a presença de guarda-vidas, além de respeitar toda a sinalização de segurança, como as bandeiras que indicam os riscos.

A supervisão constante de crianças é um ponto crucial, mantendo-as a uma distância mínima de um braço do adulto responsável. O consumo de bebidas alcoólicas antes de entrar na água deve ser evitado a todo custo, assim como a subestimação da própria capacidade de nado, permanecendo em áreas rasas sempre que possível.

Em caso de mudanças climáticas ou alertas, a saída imediata da água é recomendada. Para qualquer situação de risco, a orientação é procurar um guarda-vidas ou ligar para o número de emergência 193.

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