Agricultura de precisão recebe R$ 2 milhões em projeto inovador

🕓 Última atualização em: 11/02/2026 às 03:15

O Paraná dá um passo significativo rumo à modernização da produção agrícola com o lançamento oficial de um projeto inovador. A iniciativa, batizada de “CIA-Agro – Módulo Paraná”, visa a implementação de um sistema piloto de agricultura de precisão em cerca de vinte propriedades rurais estratégicas nas regiões Norte e Oeste do estado.

O foco central será o monitoramento avançado de maquinário agrícola através de tecnologia de telemetria. Simultaneamente, sensores serão instalados para a coleta contínua de dados cruciais, abrangendo aspectos agronômicos, ambientais e operacionais das lavouras. Este empreendimento terá uma duração prevista de 27 meses.

A meta é ir além do desenvolvimento tecnológico, promovendo ativamente a disseminação do conhecimento adquirido. Para tal, o projeto contemplará a criação de vitrines tecnológicas, espaços dedicados à demonstração de soluções inovadoras. Paralelamente, serão organizados eventos e treinamentos específicos, voltados à capacitação de produtores rurais, técnicos agrícolas, pesquisadores e estudantes.

Esta iniciativa surge como fruto de uma articulação intersetorial entre a Secretaria de Inovação e Inteligência Artificial e a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SETI). A execução prática será viabilizada pela Fundação Araucária, em estreita parceria com a Universidade Estadual de Londrina (UEL), que terá a coordenação técnica por meio do Centro de Inteligência Artificial no Agro (CIA-Agro/UEL).

Inovação Tecnológica e Cooperação Internacional

O projeto integra uma importante cooperação técnica internacional entre Brasil e Japão, contando com o apoio da Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA). O “CIA-Agro – Módulo Paraná” se insere em uma rede nacional dedicada à organização e análise estratégica de dados agrícolas, empregando sensores de última geração e plataformas digitais avançadas.

A robusta rede de parceiros envolvidos reforça o caráter colaborativo da iniciativa. Incluem-se unidades da Embrapa (Soja, Agricultura Digital e Instrumentação), a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), com os campus de Medianeira e Cornélio Procópio, o IDR-Paraná, a Fundação ABC, e as cooperativas Integrada, C.Vale e Lar. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) também participa ativamente.

O secretário da Inovação e Inteligência Artificial, Alex Canziani, enfatizou o compromisso do Estado em levar tecnologia de ponta a todos os segmentos produtivos. “Nosso objetivo é democratizar a inovação”, declarou. Ele ressaltou que, através da colaboração com o meio acadêmico, busca-se garantir que pequenos e médios produtores paranaenses tenham acesso a ferramentas de inteligência artificial que antes eram exclusivas de grandes corporações.

O Centro de Inteligência Artificial para a Agricultura (CIA-Agro) da UEL funciona como a unidade de coordenação técnica e científica do projeto. Ele está estruturado como um NAPI (Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação), um modelo de solução sociotécnica promovido pela Fundação Araucária. Este modelo visa organizar pesquisadores em redes colaborativas para responder eficazmente às demandas de setores estratégicos do Paraná.

O Impacto na Democratização do Campo

Luiz Márcio Spinosa, diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Fundação Araucária, destacou o modelo de colaboração em rede como um diferencial crucial. “O CIA-Agro, operando como um NAPI, exemplifica como a união entre pesquisadores e o setor produtivo pode gerar respostas rápidas e eficazes para os desafios do agronegócio”, afirmou. Ele salientou que o investimento transcende o material, focando na inteligência paranaense.

Este projeto representa uma aposta no futuro da agricultura paranaense, com potencial para gerar um legado de conhecimento duradouro. O objetivo é consolidar o Paraná como um polo de inovação no setor agropecuário, capacitando produtores com ferramentas digitais para aumentar a eficiência e a sustentabilidade de suas produções. A democratização do acesso a tecnologias de ponta é fundamental para fortalecer a agricultura familiar e regional.

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