A segurança sanitária vegetal no Brasil é um pilar fundamental para a manutenção da saúde da agricultura e a prevenção de perdas econômicas. Nesse contexto, a qualificação de profissionais para a emissão de Certificados Fitossanitários de Origem (CFO) e Certificados de Origem Consolidada (CFOC) assume relevância estratégica. Tais documentos são essenciais para atestar a conformidade fitossanitária de produtos vegetais, permitindo seu trânsito seguro entre regiões e países.
Recentemente, a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) promoveu uma capacitação direcionada a engenheiros agrônomos. A iniciativa visou habilitar esses profissionais para a emissão dos mencionados certificados, um processo que exige conhecimento aprofundado sobre regulamentação e práticas de vigilância fitossanitária.
A formação contou com a participação de 46 engenheiros agrônomos de seis estados brasileiros, incluindo Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo, além do próprio Paraná. Essa abrangência inter-estadual sublinha a importância nacional do tema e a necessidade de uniformizar os procedimentos de certificação.
Avanços na Vigilância Fitossanitária e sua Necessidade Econômica
O curso, realizado em Cerro Azul, na Região Metropolitana de Curitiba, abordou conteúdos cruciais para a atuação dos profissionais. O foco principal recaiu sobre vegetais suscetíveis a Pragas Quarentenárias Presentes. Estas são pragas de alto impacto econômico, ainda não amplamente disseminadas no território nacional, que demandam vigilância e controle rigorosos para evitar sua propagação.
Entre as pragas discutidas com destaque, estiveram a Xanthomonas citri subsp. citri, conhecida como Cancro Cítrico, e os patógenos Candidatus Liberibacter americanus e Candidatus Liberibacter asiaticus, causadores do Greening ou Huanglongbing (HLB). A presença dessas doenças representa uma ameaça iminente à citricultura, com potencial para devastar plantações e causar prejuízos bilionários.
A capacitação, em sua 80ª edição, demonstrou a longa trajetória e a consolidação da Adapar como referência na área. A escolha do local, Cerro Azul, para a realização das aulas práticas, permitiu aos participantes vivenciar rotinas de produção e entender as particularidades do campo, agregando valor à formação.
A Adapar, em parceria com o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR), a prefeitura local e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), organizou um currículo dividido em dois módulos. O primeiro abordou a legislação vigente, normas internacionais e os procedimentos relacionados à Permissão de Trânsito de Vegetais (PTV), instrumento indispensável para o movimento seguro de plantas e seus produtos.
O segundo módulo aprofundou-se em aspectos técnicos, como classificação taxonômica de pragas, metodologias de levantamento e mapeamento em campo, estratégias de monitoramento, uso de armadilhas, coleta e acondicionamento de amostras, bioecologia dos patógenos, identificação de sintomas e sinais nas plantas, além de ações de prevenção e métodos de controle.
O Papel da Capacitação Contínua na Segurança Alimentar
A importância de iniciativas como essa transcende a esfera produtiva. A certificação fitossanitária rigorosa é um componente vital da segurança alimentar e da saúde pública, pois previne a introdução e disseminação de pragas que poderiam afetar a qualidade e a quantidade dos alimentos disponíveis para o consumo.
A participação de profissionais de diversos estados ressalta a interconexão das cadeias produtivas e a necessidade de uma abordagem coordenada em nível nacional. A Adapar, ao investir na formação continuada e no reconhecimento da qualidade de seus cursos, fortalece o sistema de defesa sanitária vegetal do país, protegendo a agricultura brasileira contra ameaças fitossanitárias emergentes e estabelecidas.






