A citricultura paranaense, setor de relevância econômica e cultural para diversas regiões do estado, encontra-se diante de um desafio sanitário de proporções significativas. A Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) intensificou suas ações de combate ao Huanglongbing (HLB), popularmente conhecido como Greening, uma doença que já se alastrou por 164 municípios paranaenses, afetando as principais zonas produtoras de laranja, tangerina e limão.
Esta praga, causada por bactérias do gênero Candidatus Liberibacter, representa uma ameaça séria à produtividade e qualidade das frutas cítricas. A doença não possui cura conhecida, culminando na rápida deterioração das plantas, com queda prematura de frutos, deformação e redução drástica do sabor e do valor comercial. A disseminação é eficientemente realizada pelo psilídeo Diaphorina citri, um minúsculo inseto vetor.
A importância da citricultura para o Paraná é inegável, com tradição consolidada em municípios do Norte, Noroeste e no Vale do Ribeira, na Região Metropolitana de Curitiba. O Greening, ao atacar as plantas cítricas, compromete a subsistência de inúmeras famílias e a cadeia produtiva associada, desde o produtor rural até o consumidor final.
Diante deste cenário, a Adapar publicou uma nova portaria que estabelece critérios complementares de prevenção e contenção. Esta medida regulamenta ações em diversas frentes, incluindo o manejo obrigatório da praga, a eliminação de plantas sintomáticas e o controle rigoroso do vetor. Além disso, a portaria abrange a produção, o comércio e o transporte de material de propagação, buscando barrar a introdução e a disseminação do HLB por meio de mudas contaminadas.
Sanidade Vegetal e Ações Estratégicas
A nova regulamentação, alinhada à Lei Estadual de Defesa Sanitária Vegetal e a portarias federais, impõe obrigações aos produtores. Todas as propriedades comerciais com produção de cítricos, abrigando um mínimo de 50 plantas, devem ser cadastradas junto à Adapar em um prazo de quatro meses a partir da publicação da portaria. Essa medida visa mapear e monitorar as áreas de risco e as de produção.
Em municípios onde o Greening já é uma realidade, e nas regiões adjacentes, os produtores são instruídos a monitorar e controlar o Diaphorina citri seguindo metodologias específicas definidas pela Adapar. A identificação de plantas com sintomas da doença deve ser comunicada imediatamente ao órgão, bem como o registro do número de plantas eliminadas. Essa comunicação será realizada por meio de relatórios semestrais, com modelos disponíveis no site oficial da agência.
A eliminação de plantas infectadas será um processo escalonado, com prazos que variam conforme a idade das árvores, mas com a meta de erradicação completa em até quatro anos. O manejo ineficiente ou a ausência de controle sanitário em propriedades comerciais localizadas em áreas com a praga não serão mais tolerados. Adicionalmente, plantas hospedeiras da bactéria causadora do HLB, mesmo em áreas sem finalidade comercial, mas situadas em um raio de até quatro quilômetros de uma produção citrícola comercial, terão sua presença vetada. A produção, o plantio e o comércio de murta, outra planta suscetível, foram proibidos em todo o estado.
A Adapar também intensifica suas ações em municípios ainda livres da praga, realizando levantamentos fitossanitários em propriedades comerciais e não comerciais, assim como em viveiros e estabelecimentos comerciais de mudas. Caso a doença seja detectada nestas áreas, a Adapar será a responsável por delimitar a extensão da ocorrência e implementar as medidas necessárias para contenção ou erradicação.
A Ameaça Invisível e o Futuro da Citricultura
Os frutos acometidos pelo Greening apresentam características visivelmente alteradas: menor tamanho, formato irregular, muitas vezes assemelhando-se a uma pera. As sementes tendem a abortar, e o balanço entre açúcares e acidez é drasticamente comprometido, resultando em um sabor insatisfatório e perda de valor de mercado. A morte precoce das plantas cítricas é uma consequência inevitável se a doença não for controlada.
O combate ao Huanglongbing exige uma ação conjunta e contínua. A legislação e as ações de fiscalização da Adapar são ferramentas essenciais, mas a participação ativa dos produtores, por meio da adoção de práticas de manejo adequadas e da comunicação transparente de quaisquer suspeitas, é o pilar fundamental para a preservação da citricultura paranaense. A conscientização sobre a gravidade da praga e a importância de medidas preventivas são cruciais para garantir a sustentabilidade econômica e o futuro deste importante setor agrícola.






