A segurança fitossanitária, pilar fundamental para a saúde das lavouras e a sustentabilidade da produção agrícola, tem recebido atenção redobrada no Paraná. Profissionais de diferentes estados brasileiros participaram recentemente de uma capacitação intensiva focada na emissão de Certificados Fitossanitários de Origem (CFO) e Certificados de Origem Consolidada (CFOC). Esta iniciativa visa fortalecer a rede de vigilância e controle de pragas que ameaçam a produção vegetal em território nacional.
A qualificação, realizada pela Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), é direcionada a engenheiros agrônomos devidamente registrados em seus respectivos conselhos regionais. A necessidade de profissionais habilitados para a emissão desses documentos reflete a complexidade das regulamentações e a importância de garantir a sanidade dos produtos vegetais que circulam pelo país e no exterior.
A relevância desta certificação transcende as fronteiras estaduais. A adesão de profissionais de estados como Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo demonstra a abrangência e o reconhecimento nacional da qualidade dos treinamentos promovidos pela Adapar. A troca de experiências e a padronização de procedimentos entre diferentes regiões do Brasil são essenciais para uma defesa sanitária vegetal eficaz.
A edição mais recente do curso contou com a participação de 46 profissionais externos e 10 servidores da própria Adapar. O evento ocorreu no município de Cerro Azul, na Região Metropolitana de Curitiba, e contou com o apoio fundamental do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR), da prefeitura local e do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Ameaças fitossanitárias e o papel da certificação
O conteúdo programático abordou de forma detalhada as Pragas Quarentenárias Presentes (PQP), organismos que representam um alto risco econômico e ambiental devido à sua capacidade de disseminação e ao impacto devastador em culturas agrícolas. A identificação, o monitoramento e o controle dessas pragas são cruciais para evitar perdas significativas na produção.
Entre as ameaças fitossanitárias com foco na capacitação, destacam-se a Xanthomonas citri subsp. citri, causadora do Cancro Cítrico, e os patógenos associados ao Greening ou Huanglongbing (HLB), como o Candidatus Liberibacter americanus e o Candidatus Liberibacter asiaticus. Estas doenças afetam gravemente a citricultura, um setor de grande importância econômica no Brasil.
A emissão do CFO e do CFOC é um processo rigoroso que atesta a conformidade fitossanitária de plantas, partes de plantas e produtos de origem vegetal. Esses certificados garantem que a carga inspecionada está livre de pragas e doenças sujeitas a medidas de controle e erradicação, facilitando o comércio e protegendo os ecossistemas agrícolas.
O curso buscou aprimorar o conhecimento sobre a legislação vigente, os métodos de amostragem e diagnóstico, e as práticas de campo para levantamento e mapeamento de pragas. A compreensão da bioecologia desses organismos e dos seus sintomas em plantas hospedeiras é vital para a detecção precoce e a contenção de surtos.
A Adapar ressalta que a capacitação não se limita à teoria. A realização do curso em locais de produção, permitindo a observação direta das práticas e rotinas agrícolas, é um diferencial reconhecido pelos participantes. Essa abordagem imersiva contribui para a formação de profissionais mais preparados para os desafios do dia a dia.
Vigilância e controle: um esforço conjunto
O aprimoramento técnico dos engenheiros agrônomos é um investimento direto na saúde do agronegócio brasileiro. Ao estarem capacitados para emitir CFO e CFOC, esses profissionais atuam como uma primeira linha de defesa, assegurando que apenas produtos livres de ameaças fitossanitárias sejam movimentados.
A parceria estabelecida com o IDR-PR, a prefeitura de Cerro Azul e o Mapa é um exemplo de como a colaboração entre diferentes esferas de governo e instituições de pesquisa pode fortalecer as ações de defesa agropecuária. Essa articulação é fundamental para a articulação de políticas públicas eficazes e a disseminação de boas práticas.
A vigilância fitossanitária é um processo contínuo que exige atualização e adaptação às novas ameaças. Cursos como este, que abordam desde a legislação até os métodos de controle mais modernos, são essenciais para manter a capacidade do país de proteger suas lavouras e garantir a segurança alimentar.






