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🕓 Última atualização em: 30/01/2026 às 08:53

Com uma história que se estende por quase um século, o Hospital de Dermatologia Sanitária do Paraná (HDSP) se consolida como um pilar no cuidado à saúde pública no estado. Fundado em outubro de 1926 e localizado em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, o HDSP, sob a gestão da Funeas e apoio do Governo do Estado, transcende o atendimento médico, tornando-se um centro estratégico de formação profissional e um farol de atendimento humanizado.

A instituição atende a pacientes de todas as macrorregiões paranaenses, com um foco particular em dermatologia, hanseníase e tratamento de feridas complexas. Sua atuação em alta complexidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS) abrange 56 municípios de quatro Regionais de Saúde. Uma equipe robusta de 27 médicos especialistas, 12 residentes em dermatologia e mais de 200 colaboradores, incluindo uma ampla gama de profissionais multiprofissionais, garante a excelência dos serviços.

O HDSP desempenha um papel crucial na reabilitação e no suporte psicossocial de pacientes com hanseníase, uma doença ainda envolta em estigmas. A abordagem integrada visa não apenas o tratamento clínico, mas também a melhoria da qualidade de vida.

Desde 2023, o hospital expandiu sua missão para além da assistência, estabelecendo-se como um centro de produção de conhecimento. A autorização do Ministério da Educação para um programa de residência médica em dermatologia, com duração de três anos e capacidade para 12 residentes, fortalece a política estadual de qualificação e a capacidade do SUS em oferecer atendimento especializado de ponta. A formatura da primeira turma está prevista para este ano, marcando um novo capítulo na formação médica no Paraná.

O secretário estadual da Saúde, Beto Preto, ressalta a continuidade e evolução das políticas públicas que moldaram a trajetória do hospital. Ele enfatiza o reconhecimento a todos os profissionais que contribuíram para a construção da unidade e o compromisso do Governo do Estado em seguir investindo em seu fortalecimento.

Reestruturação e Expansão dos Serviços

Em 2020, o HDSP iniciou um processo de reestruturação que redefiniu seu perfil assistencial, migrando de um modelo predominantemente de internações para um foco em atendimentos ambulatoriais. Essa transformação envolve a implementação de um Ambulatório de Multiespecialidades (AME), um centro de diagnóstico avançado, serviços de medicina hiperbárica e um hospital-dia dedicado a cirurgias eletivas.

Com um investimento superior a R$ 38 milhões em reformas e adequações, a unidade ampliou significativamente sua capacidade. O número de consultórios saltou de 28 para 54, e a infraestrutura agora conta com um centro cirúrgico equipado com duas salas, 12 leitos de hospital-dia, um serviço de oxigenoterapia hiperbárica e o mencionado centro de diagnóstico.

Esses investimentos têm gerado um crescimento expressivo nos atendimentos. Dados projetados entre 2021 e 2025 indicam um aumento de cerca de 545%. Se em 2021 o hospital registrava aproximadamente 25.899 atendimentos anuais, a expectativa para 2025 é de uma média de 167 mil atendimentos por ano, o que equivale a cerca de 13 mil por mês.

O ambulatório de feridas, em particular, destaca-se como o maior do estado. Atendendo em média 120 pacientes diariamente, a equipe especializada em estomaterapia utiliza coberturas avançadas e tecnologia assistiva para tratar lesões de difícil cicatrização, demonstrando a resolutividade do serviço.

A experiência de pacientes como Isabel, que descobriu um câncer de pele e passou por duas cirurgias, reflete a satisfação com o acompanhamento e a qualidade do atendimento. Ela elogia a atenção dos profissionais, a qualificação da equipe e a organização dos processos, desde a marcação de consultas até a realização dos procedimentos.

Um Legado de Cuidado e Transformação

A história do Hospital de Dermatologia Sanitária do Paraná remonta a 20 de outubro de 1926, quando foi fundado como Hospital São Roque, com a missão primordial de tratar a hanseníase, à época conhecida como lepra. Naquele período, o Brasil enfrentava uma grave crise sanitária, e as políticas públicas de saúde eram marcadas pelo isolamento compulsório de pacientes, com a criação de hospitais colônia e leprosários.

O modelo de funcionamento do Hospital São Roque, que chegou a abrigar 1300 pacientes simultaneamente, assemelhava-se a uma cidade autossuficiente. Contava com estrutura própria de governança, incluindo prefeito, igreja, cinema, correio, cemitério e até mesmo uma cadeia, além de áreas residenciais. Esse modelo, imposto pela necessidade de conter a disseminação da doença, acompanhou as transformações nas políticas de saúde e no conhecimento científico ao longo das décadas.

Com o avanço científico e a descoberta dos mecanismos de controle e cura da hanseníase em 1983, o paradigma de atendimento mudou radicalmente. O isolamento compulsório deu lugar a um modelo de cuidado humanizado e focado no atendimento ambulatorial, alinhado às diretrizes do SUS e voltado à redução do estigma associado à doença. A gestão da unidade passou para a Secretaria de Estado da Saúde, e o hospital, inicialmente chamado Hospital de Dermatologia São Roque, foi renomeado para Hospital de Dermatologia Sanitária do Paraná (HDSP) em 1990.

O legado do HDSP é fundamental na luta contra a hanseníase, especialmente durante campanhas como o “Janeiro Roxo”, dedicado à conscientização sobre sinais, sintomas, diagnóstico precoce e a disponibilidade de tratamento gratuito e curativo pelo SUS. A instituição tem promovido ações de educação permanente, capacitação de profissionais e informação à população, fortalecendo a rede de atenção à saúde e reafirmando seu compromisso centenário com a dignidade humana e o Sistema Único de Saúde.

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